O custo de morar

Foto: Ricardo André Frantz/Wikimedia Commons

Porto Alegre vista a partir do Lago Guaíba / Foto: Ricardo André Frantz/Wikimedia Commons

Aluguel, compras e valores

Se você acessou esse blog no Brasil, há 19% de chances de que todo mês tenha que pagar aluguel – o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010, divulgou que cerca de 35 milhões de brasileiros não possuem casa própria e são locatários.

Embora seja uma causa antiga, o problema dos aluguéis e do custo de moradia elevado se tornaram pautas públicas mais recentemente. O motivo talvez seja o expressivo aumento dos valores envolvidos. Apenas em Porto Alegre, o preço médio do metro quadrado de imóveis subiu 27,7% entre 2012 e 2014, de acordo com a pesquisa FipeZap, realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas e pelo site Zap Imóveis.

Variação do valor do m² em Porto Alegre

 

Mas o que tem levado a essas mudanças?

Especulação e bolha imobiliária

Um dos principais elementos que eleva o custo da moradia nos grandes centros urbanos é a especulação imobiliária.

 

Os especuladores acabam diminuindo a oferta de novos terrenos e imóveis. Como a demanda aumenta de forma cada vez maior e o número de locais disponíveis é baixo, os preços dispararam. Para a vereadora Fernanda Melchionna (PSOL), a situação de Porto Alegre é reflexo do poderio dos empresários e das construtoras em todo país. “Sem uma regulamentação do Estado a tendência é o que cenário piore. A especulação busca só o lucro, e acaba prejudicando as famílias de baixa renda, que não podem arcar com esses preços cada vez mais abusivos”, reflete a parlamentar, autora de projetos que freiam a proliferação de empreendimentos imobiliários, como o Projeto de Lei Complementar 016/09.

De acordo com a Fundação João Pinheiro, que realiza estudos anuais sobre os indicadores habitacionais para o Ministério das Cidades, a situação do país como um todo é complicada: o aumento dos gastos com aluguéis tem afetado a realidade econômica de diversos famílias. Pior: a alta dos preços incentiva a procura de financiamentos. A maior concessão de crédito é um dos principais ingredientes da bolha imobiliária.

Bolha Imobiliária

A explosão de uma gigantesca bolha imobiliária nos Estados Unidos foi um dos principais componentes da última crise econômica mundial, em 2008. O país, assim como a Espanha, outro exemplo de bolha estourada, acabou vendo grande centros urbanos se deteriorarem – o maior exemplo é Detroit, onde 25% da população foi embora por não possuir mais teto.

Sobrepreço do aluguel

Este cenário tem levado a um aumento expressivo do aluguel e do preço de compra. A situação é drástica até mesmo em cidades que não são tradicionalmente polos de inflação no mercado imobiliário, como Rio de Janeiro e São Paulo. O gráfico abaixo relata o aumento do preço médio do m² em Porto Alegre, nos últimos cinco anos, com dados do Sindicato da Habitação (Secovi/RS).

Preço médio do m² de imóveis usados

Todos esse cenário acaba levando a uma situação de deficiência. Família de classe média comprometem sua renda ao pagarem aluguel ou financiarem residências. Já as classes mais baixas são empurradas para a periferia, onde vivem em casas precárias. É a situação conhecida como “déficit imobiliário”. Saiba mais a respeito na segunda parte da reportagem.

Parte 2

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